AS DESPESAS DO INÍCIO DO ANO E O RISCO DE ENDIVIDAMENTO.
Todo início de ano é assim – lápis, papel, calculadora e contas que nunca fecham. Você busca paciência e jogo de cintura para equilibrar a receita e a despesa. O calendário vira, sem muitas delongas, e o novo ano traz velhos problemas, como os gastos com viagem, IPVA, IPTU, matrículas escolares, materiais didáticos, uniformes e até os reflexos das festas de fim de ano. São despesas que desafiam o orçamento.
Entre números e obrigações, sua cabeça dói, seus pensamentos voam e uma conta simples de mais e menos se torna um suplício Você fica com a sensação de que os dois primeiros meses do ano se arrastam como se tivessem o dobro dos dias.
Mas não se desespere e saiba que é possível sobreviver a esses dias de pura adrenalina e grandes sobressaltos. Daí que é importante fazer um planejamento financeiro, essencial para enfrentar os compromissos financeiros e começar o ano com um pouco mais de tranquilidade. Mas seja pé no chão.
Vejamos algumas dicas nos 8 (oito) tópicos que vamos abordar, especialmente visando evitar o endividamento e garantir o equilíbrio financeiro nestes novos tempos.
1) Clareza da sua real situação financeira.
Antes de planejar um esquema é indispensável ter clareza sobre suas finanças. Comece listando suas receitas mensais e todas as despesas fixas, como aluguel, alimentação, transporte, plano de saúde, renovação de seguro, internet, e contas de água e luz, que podem oscilar ao longo do mês. Mas já inclua os compromissos específicos do início do ano citados acima, no primeiro parágrafo.
Embora você relute, chegou a hora de estabelecer prioridades. Pergunte-se: quais contas são mais urgentes? Impostos como IPVA e IPTU devem ser pagos prioritariamente, pois atrasos podem gerar juros e multas. Em seguida, concentre-se nas despesas essenciais, como alimentação e moradia.
Gastos extras, como lazer ou itens não essenciais, podem ser adiados temporariamente. É difícil ter de escolher entre uma e outra despesa, mas é necessário ter uma visão clara do panorama financeiro. Esse exercício pode ajudar na economia e no redirecionamento dos recursos para o que realmente importa, ajudando você a iniciar o ano com o pé direito e sem estourar o cartão de crédito.
2) Seja fiel à planilha e ao controle de gastos.
Lembre-se que, manter as finanças em dia exige saber exatamente para onde seu dinheiro está indo. Utilize ferramentas como planilhas, aplicativos ou até mesmo um caderno para registrar todas as entradas e saídas. Esse acompanhamento detalhado permite identificar “vazamentos” financeiros, como serviços contratados que você não utiliza, assinaturas automáticas esquecidas ou pequenas compras por impulso que, somadas, podem fazer uma diferença significativa.
Muito cuidado com os “gastos invisíveis”, que acabam pesando no orçamento. Embora pequenos, eles podem se acumular ao longo do tempo e comprometer suas finanças, sejam pedidos de delivery, lanches rápidos, cervejinha no meio da semana, salgadinhos e outros itens que podem parecer baratos, mas que furam seu orçamento.
Outro detalhe é reduzir alguns gargalos. Faça uma revisão criteriosa das suas despesas. Verifique cobranças recorrentes em contas bancárias, cartões de crédito e contratos, e avalie o que pode ser eliminado ou renegociado. Não se esqueça que mesmo pequenas economias podem gerar valores consideráveis ao longo do tempo. Disciplina e controle contínuo são os segredos para manter as finanças equilibradas. Seja fiel à planilha e ao controle de gastos.
3) Planeje seus pagamentos com segurança e seriedade.
Pense antes de agir. Para despesas como IPVA, IPTU e matrículas escolares, existem duas formas de pagamento: à vista ou parceladas. A escolha entre essas opções deve ser feita com base no planejamento formulado e na sua real condição financeira naquele momento.
O pagamento à vista, quando possível, é vantajoso, pois em alguns casos pode oferecer desconto e eliminar a dívida de forma imediata. No entanto, é essencial garantir que essa escolha não comprometa o orçamento ou a reserva financeira.
Lado outro, o parcelamento pode ser útil para aliviar o fluxo de caixa, especialmente no início do ano, quando muitas despesas se acumulam. Dê preferência a parcelas sem juros ou opte por condições com menores taxas, e faça o possível para não ter acúmulo de parcelas ao longo de vários meses, evitando assim sobrecarregar o orçamento.
Independentemente da escolha entre pagar à vista ou em parcelas, o importante é planejar com antecedência e manter os pagamentos em dia. Assim, você evitará juros e multas desnecessários e garantirá equilíbrio financeiro ao longo do ano.
4) Seja pontual e fuja da inadimplência.
Procure cumprir com os compromissos planilhados e mantenha-se longe da inadimplência, especialmente nos meses que seguem o final do ano, quando despesas de festas e presentes se somam às típicas do início do ano, como todas as já citadas alhures.
Apenas a título de informação, segundo o Indicador de Reincidência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), oito em cada dez consumidores voltam a ser negativados em menos de um ano após quitarem uma dívida negociada.
Entre os motivos mais frequentes da inadimplência e da dívida estão o cartão de crédito, aluguel, as contas de água e luz, despesas com internet, cheque especial, empréstimo do nome a terceiros, apostas online, imprevistos com saúde, descontrole financeiro e esquecimento.
Não deixe que aconteça, pois esse ciclo pode ser difícil de romper, especialmente quando faltam organização e planejamento financeiro. Muitas pessoas conseguem renegociar suas dívidas, mas acabam falhando em cumprir os acordos por não adequar seus gastos à nova realidade.
5) Economia inteligente.
Uma estratégia eficaz é reservar mensalmente uma parte do orçamento para cobrir algumas despesas anuais. O sacrifício pode valer muito a pena.
Se você ainda não possui uma reserva de emergência, criar uma deve ser prioridade. Essa reserva é essencial para lidar com imprevistos, como as já citadas despesas médicas, ou com reparos no carro, perda de emprego e renda e até mesmo no caso de roubo do seu celular. Evite recorrer a empréstimos que podem gerar juros altos e comprometer seu orçamento. O ideal é acumular o equivalente a, pelo menos, seis meses de suas despesas mensais.
Entretanto, é importante lembrar que despesas previsíveis, como IPVA e IPTU, não devem ser tratadas como emergências. Por serem gastos já conhecidos, eles precisam estar no seu planejamento financeiro.
Uma boa alternativa para quem está com um dinheirinho sobrando é poupar esses recursos em aplicações financeiras de fácil acesso, como o Tesouro Selic ou CDBs com liquidez diária. Esses investimentos permitem que o dinheiro reservado esteja disponível no momento necessário, enquanto ainda rende juros no período em que fica aplicado.
Para quem já possui uma reserva de emergência sólida e está com as finanças equilibradas, o próximo passo pode ser explorar opções de investimentos que ajudem a fazer o dinheiro trabalhar ainda mais a seu favor. Investimentos em renda fixa, como LCIs, LCAs e fundos de renda fixa, ou até mesmo em renda variável, dependendo do perfil de risco do investidor, podem ser aliados importantes para arcar com despesas futuras e alcançar seus objetivos financeiros.
A economia inteligente é, acima de tudo, um hábito: o de planejar, poupar e investir com regularidade, garantindo maior tranquilidade e segurança financeira em todas as fases do ano.
6) Evite compras por impulso.
Não se deixe levar por promoções e descontos de vitrine ou de internet. As promoções de início de ano podem ser extremamente atrativas, mas é fundamental ter cuidado com o consumo impulsivo que pode desequilibrar o orçamento. Lembre-se das suas prioridades. Antes de realizar qualquer compra, faça uma pausa e reflita: “Eu realmente preciso disso? Tenho dinheiro disponível para pagar sem comprometer outras prioridades? Já possuo algo semelhante que pode substituir essa aquisição?”.
Uma medida eficiente para evitar compras desnecessárias é adotar a regra das 24 horas: antes de fechar qualquer negócio, aguarde um dia para avaliar com calma se o item é realmente essencial. Muitas vezes, o desejo de compra diminui com o passar do tempo, ajudando a evitar gastos por impulso.
Além disso, é importante estabelecer um limite específico para despesas com supérfluos, respeitando a sua capacidade financeira. É essencial ser disciplinado para não ultrapassar esse valor, mesmo diante de ofertas tentadoras. Racionalizar os gastos e priorizar o que é realmente necessário é uma forma eficaz de evitar a “bola de neve” nas contas e ainda conseguir aproveitar com sabedoria.
Para controlar ainda mais o orçamento durante esse período de despesas elevadas, como as típicas do início do ano, é recomendado buscar alternativas mais econômicas ou gratuitas para o lazer. Atividades como passeios ao ar livre, reuniões em casa com amigos ou explorar atrações gratuitas em sua cidade podem ser boas opções.
Resistir a compras impulsivas não significa privação, mas sim uma decisão consciente de priorizar o que realmente importa para você e sua família.
7) Planeje o ano inteiro.
Não basta planejar de última hora, na correria. O planejamento financeiro deve ser uma ferramenta contínua. Além de organizar os gastos típicos de janeiro, como impostos, matrículas e material escolar, é essencial preparar-se para despesas sazonais que ocorrerão mais à frente, como férias ou a próxima temporada de impostos.
Planeje com calma. Organize-se. Zele pelo seu nome. Mantenha limpo seu cadastro. O planejamento contínuo ajuda a criar uma base sólida para construir um futuro financeiro mais estável. Com a organização em dia, você poderá lidar com despesas previstas de maneira tranquila, aproveitar oportunidades como descontos à vista e até destinar recursos para investimentos que farão seu dinheiro render.
Não deixe para depois. A decisão começa agora.
Organizar as finanças no início do ano exige disciplina, mas os benefícios são duradouros. Você ganhará controle sobre seu dinheiro, evitará dívidas e poderá investir no que realmente importa. Afinal, um planejamento bem elaborado não é apenas uma resolução de Ano Novo — é um presente para todo o ano.
8) Números e percentuais.
Por fim, números de uma pesquisa popular - em relação à prioridade no pagamento, muitos consumidores admitem que os principais compromissos financeiros com o pagamento em dia são as contas de internet (73%), água e luz (68%), telefone (65%), TV por assinatura (59%), e plano de saúde (48%). Já os principais itens comprados no crédito sem pagamento são: supermercado (52%), roupas, calçados e acessórios (36%), remédios (34%), eletrodomésticos (24%) e combustível (22%). Nesse mundo frenético e tecnológico, os smartphones passaram a ter uma importância tanto social quanto profissional na vida das pessoas. Ter como prioridade o pagamento das contas de internet e celular mostra o poder e a importância dessas ferramentas na vida da população. Mas considerando tudo que foi dito antes, é importante saber utilizar a tecnologia como aliada na hora de comprar, fazendo pesquisa de preços e pensando sempre em economia, planejamento e controle, sem exageros e sem impulsos.
Wilson Campos (Advogado/Especialista com atuação nas áreas de Direito Tributário, Trabalhista, Cível e Ambiental/ Presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Interesses Coletivos da Sociedade, da OAB/MG, de 2013 a 2021/Delegado de Prerrogativas da OAB/MG, de 2019 a 2021).
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Nós temos pavor de dívida mas a vida está muito difícil. Tudo está caro porque os impostos são muitos e pesam demais nos ítens básicos da vida. Dr. Wilson, a melhor coisa na vida da pessoa é ter seu nome limpo e viver tranquilamente sem dívida. Seu texto é super interessante e despertou nossa vontade de ler e debater aqui em casa uma forma de como organizar e economizar um pouquinho para desfrutar nas férias e outras diversões. Parabéns pelo artigo nota 1000. Excelente e bem instrutivo e de ótima compreensão por nós que agradecemos muito. Att: Lázaro e Suzana Gomes (barbeiro e cabeleireira - salão stilo - e estudantes de direito).
ResponderExcluirO cartão de crédito é o grande vilão da atualidade e o Pix também porque ficou fácil demais usar e já pagar e quando isso não é bem pensado, cai na conta e o débito precisa de saldo e se não tem saldo, fica negativo e paga juros bem altos para os bancos. No início de ano é sim muito difícil com muitas contas para pagar e o IPVA e o IPTU e material escolar e matrículas escolares são os mais urgentes e precisam ser pagos a vista ou parcelados. Mas tem os gastos da viagem de fim de ano e férias, e tem depois o Carnaval. Tudo isso pesa muito nos três primeiros meses do ano e o Brasil só começa a funcionar (mal) depois do Carnaval e é aí que as contas acumulam e você fica o resto do ano só administrando contas e parcelas e juros, etc, etc. DR.WILSON o seu artigo diz tudo e quem não tem controle financeiro precisa ler seu artigo e seguir suas orientações. Bravíssimo Doutor. Sou Antonio Marcos V. Graciliano (seu leitor e ao seu dispor gerente de concessionária de automóveis).
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