QUANDO A BARRIGA RONCA E AS LÁGRIMAS ROLAM PELO ROSTO.
Sinceramente, penso que o melhor, mais honesto e mais confiável indicador econômico do Brasil atual está nas gôndolas dos supermercados e nas reclamações diárias das donas de casa, dos pais de famílias e da sociedade em geral.
Não há como negar a disparada nos preços de muitíssimos alimentos e da carne em 2026. São fatos reais, que têm pressionado fortemente o orçamento familiar. Ora, o custo da alimentação tem subido em ritmo acelerado, reflexo direto do aumento de impostos, descontrole de gastos por parte do governo e descompasso entre os produtores e os organismos estatais.
Segundo informações da parte confiável da imprensa brasileira, o preço da carne bovina deve continuar em alta ao longo de 2026, com projeções de aumento que ultrapassam a casa dos 10%. A valorização dos cortes, que já acumulam altas expressivas na casa dos 45 % nos últimos dois anos (governo Lula), afeta todos os tipos de carne nos açougues e supermercados.
Havemos de convir que a responsabilidade pelas altas de preços possa ser dividida entre o governo federal (Lula) e fatores econômicos globais. O governo tem culpa na medida em que suas decisões desastrosas influenciam diretamente a inflação, mas choques externos e climáticos também desempenham certo papel nesse mercado louco.
Não há dúvida que o atual governo brasileiro gasta mais do que arrecada, e isso eleva a dívida pública e desestimula a capacidade de produção do país. O resultado é elevação da inflação, que, por sua vez, contribui desastrosamente para o aumento de preços, principalmente dos alimentos de primeira necessidade, e é nessa hora que assistimos o reclamo geral da população, quando a barriga ronca e as lágrimas rolam pelo rosto.
Outro aspecto a ser considerado é o de controle de emissão de papel-moeda, cuja função é do atual governo Lula, pois quando há excesso de moeda em circulação sem respaldo na economia, o dinheiro perde valor, gerando aumento generalizado de preços. Mas o Banco Central sabe disso, uma vez que é o próprio que dita a taxa básica de juros (Selic). E todos sabemos que juros altos encarecem o crédito e a produção, o que afeta a vida do consumidor.
Também não se pode olvidar que os impostos federais (e estaduais, dependendo da gestão) compõem grande parte do valor final de produtos e serviços. E cabe a cada ente da Federação cuidar para que os preços mantenham-se equilibrados e possíveis para os bolsos dos brasileiros. Mas o governo não pensa no povo, no pobre; o governo só pensa em gastar, e gastar muito.
Ultimamente, diante da disparada dos preços, uma grande massa de eleitores tem feito algo para expressar rejeição ao governo petista: publicar vídeos em supermercados ou feiras denunciando, com revolta, os preços exorbitantes do arroz, feijão, carne, legumes, leite, ovo, café e outros alimentos que deveriam ser comuns na mesa da família brasileira.
Parabéns para esses eleitores, posto que nada mais verdadeiro, concreto e eficaz para escancarar o efeito nefasto da política econômica de Lula, impulsionada por impostos extorsivos e gastos públicos escandalosos. E não há que se admitir que o STF ou o TSE venham a cometer novamente a atrocidade de violar o direito dos cidadãos de expressarem livremente sua insatisfação, como aconteceu em 2022, quando foram proibidas manifestações de repúdio a Lula e ao PT nas redes sociais. Tomara que os ministros Nunes Marques e André Mendonça (STF e TSE) tenham sabedoria, sensibilidade, humanidade e notável saber jurídico suficientes para não permitirem qualquer tipo de censura.
Se o juízo de julgamento em 2022 foi lamentável e questionável, em 2026 não há que ressurgir, espera-se, especialmente respeitando agora e futuramente a doutrina do direito que fundamenta o princípio da liberdade de expressão. Ora, a livre manifestação dos cidadãos é essencial para o vigor do regime democrático, pois contribui para o debate público acerca do poder assentado.
A livre expressão precisa ser transformada no megafone de alto e bom som da cidadania, para que a coletividade faça ecoar suas demandas e frustrações diante dos governantes. No âmbito e por ocasião das eleições, isso se torna ainda mais relevante, porque é o momento em que a população pode discutir o que a autoridade eleita fez de bom e de ruim, e se merece ou não permanecer no cargo. No caso concreto do PT & Companhia, com certeza não merecem e não podem continuar à frente do governo, tamanhos os erros e escândalos.
A rigor, sob o aspecto da legalidade, não há jurisprudência formada no STF nem em outras Cortes constitucionais do mundo, no sentido de que as críticas precisam ser educadinhas, singelas e fracas segundo qualquer ponto de vista. Ao contrário, espera-se que o cidadão manifeste sua opinião com energia, liberdade e força a respeito das ações e atitudes dos governantes, e o faça de forma racional e arrazoada.
A imprensa tem divulgado e as redes sociais foram tomadas por vídeos de donas de casa e trabalhadores indignados com Lula pela inflação e pela redução do poder de compra. Isso se deu na semana passada, e a tendência é se repetir por mais vezes. Um exemplo foi o de um homem, em São Paulo, num ponto de ônibus na avenida Paulista, debaixo de chuva, chorando de raiva sobre sua vida no Brasil. Ele dizia, aos prantos: “Nós ‘trampa’ pra caramba nesse lugar aqui e não sai do lugar (…) o dinheiro vai embora rápido, você pega 100 aqui, 200 ali e já não tem mais nada, é um arroz, uma mistura, um pedaço de carne; ninguém está aguentando comprar mais nem sequer um pedaço de carne para comer”.
Em outra situação, um pedreiro acompanhado de duas mulheres, no supermercado, profere palavrões contra Lula ao mostrar 500 gramas de café a R$ 35,99; 5 quilos de arroz a R$ 24,99; 30 ovos a R$ 16,99. O homem dispara vários xingamentos contra o presidente Lula, e pergunta ao final do seu desabafo: “Lula é pai de pobre?”, pergunta ele à filha e à mulher. “Não”, respondem elas.
Nessa hora - QUANDO A BARRIGA RONCA E AS LÁGRIMAS ROLAM PELO ROSTO -, chega-se à conclusão que o brasileiro não deve se dobrar a nenhum autocrata, seja do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário. A mordaça que queiram colocar não é para proteger o Estado de direito, a democracia ou a verdade. Não. É para esconder as mentiras e a triste realidade, que tanto sufocam o cidadão comum nesses últimos três anos e meio.
Destarte, tentar criminalizar a opinião e indignação da dona de casa, do chefe de família e dos trabalhadores que não conseguem comprar arroz, feijão, café e ovo, é escancarar de vez e definitivamente a desfaçatez, a desumanidade, a covardia e o autoritarismo, que pretendem impor ao Brasil e aos brasileiros de bem. Mas o povo brasileiro, os eleitores, todos que amam esse país, não haverão de permitir abusos nem privações.
É sagrado o direito de reclamar do preço do prato de comida, da segurança, da saúde, da educação, do transporte, e se alguém tentar cassar esse direito, não estará salvando a democracia, mas sim decretando radicalmente o seu fim.
Encerrando, entendo que existe grande relação entre o aumento dos preços dos alimentos, a expansão dos gastos públicos e a consequente elevação da taxa de juros. A explicação é simples: atualmente, a população brasileira enfrenta dificuldades para garantir o básico. O dilema diário é atroz – as famílias precisam escolher entre pagar as contas ou colocar a comida na mesa. E isso não é nenhum exagero, porquanto seja a dura realidade de milhões de pessoas país afora, e as reclamações são claras quando a barriga ronca e as lágrimas rolam pelo rosto, ainda que ocorram no silêncio da casa ou nos burburinhos das redes sociais.
Wilson Campos (Advogado/Especialista com atuação nas áreas de Direito Tributário, Trabalhista, Cível e Ambiental/ Presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Interesses Coletivos da Sociedade, da OAB/MG, de 2013 a 2021/Delegado de Prerrogativas da OAB/MG, de 2019 a 2021).
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