BRASIL TEM 8,4 MILHÕES DE ANALFABETOS.

 

Há vinte anos ou mais os brasileiros escutam a promessa governamental de que o analfabetismo será vencido no país.  Mas a promessa não diz quando isso se dará, definitivamente.

O Brasil registrou, em 2025, 8,4 milhões de analfabetos, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ou seja, 4,9% da população com mais de 15 anos não consegue ler nem escrever um bilhete simples. Mais da metade dessas pessoas (57,4%) estavam no Nordeste.

Em relação a 2024, houve uma redução de 0,4 ponto percentual na taxa nacional, o que representa uma diminuição de cerca de 592 mil pessoas analfabetas no país. É muito pouco diante do que promete o governo federal, mesmo porque reflete o absurdo e injustificável corte de verbas na área da educação, principalmente nas gestões de governos do PT e de aliados da esquerda.  

A quantidade de analfabetos no Nordeste (4,8 milhões) supera, como comparação, a população inteira do Amazonas estimada na Pnad (pouco mais de 4,1 milhões). A região concentra pouco mais de um quarto (26,5%) da população total brasileira, mas tem mais da metade dos que não foram alfabetizados.

A pesquisa considera como analfabetos aqueles que não conseguem ler nem escrever. O Brasil tinha como meta, estabelecida pela lei do PNE (Plano Nacional de Educação), erradicar a taxa de analfabetismo nessa faixa da população até o fim de 2024. Mas, como dito logo acima, o governo federal promete e não cumpre e, ao contrário de prestigiar a instrução e o ensino, corta a verba da educação.

Segundo a pesquisa, todas as unidades da federação, com exceção do Amapá, conseguiram reduzir a taxa de analfabetismo nesse período, mas os estados com percentuais mais elevados continuam no Nordeste. Alagoas e Piauí têm maiores índices.

A exemplo de outras pesquisas, como o Censo Demográfico 2022, a Pnad também indica que o problema atinge, sobretudo, as gerações mais velhas. Isso ocorre em razão da existência de gargalos mais intensos para o acesso ao ensino no passado.

Enquanto a taxa de analfabetismo na população acima de 15 anos é de 4,9%, na faixa etária acima dos 60 anos o índice é de 13,8%. Apesar de ser ainda bastante elevada, a taxa era de 20,5%, em 2016. Eles representam 58% do total de analfabetos no país. Dos 8,4 milhões que não sabem ler nem escrever, 4,8 milhões têm mais de 60 anos.

Pela primeira vez houve uma inversão em relação ao gênero, com a taxa de analfabetismo entre as mulheres menor do que a dos homens com mais de 60 anos. Em 2025, ela foi de 13,7% para elas e de 14,1% para eles.

Também segundo a pesquisa, historicamente, a taxa de analfabetismo era maior entre as mulheres. Essa inversão, especialmente entre os mais velhos, sugere avanço na escolarização feminina e aponta para uma possível reversão do legado de desigualdade educacional do passado.

Apesar da redução da desigualdade de gênero na escolarização dessa faixa etária, os dados mostram a persistência da desigualdade racial. A taxa entre pessoas pretas ou pardas com 60 anos ou mais permanece quase três vezes superior à observada entre pessoas brancas da mesma faixa etária, evidenciando um legado estrutural de exclusão educacional.

O jornal Folha de S. Paulo identificou que, apesar do grande contingente de adultos não alfabetizados no país, a oferta de EJA (Educação de Jovens e Adultos), modalidade para aqueles que não tiveram garantido o direito de estudar na idade certa, caiu ao menor patamar de matrículas desde o início da série histórica, em 1996.

Embora a Constituição Federal defina que a oferta de turmas de EJA seja obrigatória no Brasil, há anos, professores e estudantes denunciam o esvaziamento da modalidade nos estados e municípios. Aliás, em muitas redes de ensino, governos têm concentrado as turmas dessa modalidade em poucas escolas, o que dificulta o acesso da população que precisa.

Em que pese o erro crasso do governo federal de corte de verbas para a educação, os dados indicam que os brasileiros estão conseguindo dedicar mais anos de vida aos estudos, muito em razão da necessidade e do esforço de cada um. Em 2025, a média de anos de estudo das pessoas de 25 anos ou mais de idade no Brasil foi de 10,2 anos, apresentando crescimento em relação aos 9,1 anos observados em 2016.

Um dos reflexos é a ampliação do ensino superior. A proporção de brasileiros de 25 anos ou mais com graduação completa aumentou de 15,4%, em 2016, para 21,4%, em 2025.

Apesar da evolução, vale repetir que o país não cumpriu a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa a erradicação do analfabetismo até 2024. Enquanto o Nordeste registra o maior índice, a região Sudeste (2,3%) apresenta a menor taxa de analfabetismo.

·  Nordeste: 10,6%

·  Norte: 5,7%

·  Centro-Oeste: 3,3%

·  Sul: 2,4%

·  Sudeste: 2,3%

No meu sentir, o governo federal precisa destinar mais verbas para a educação, fiscalizar o destino e a aplicação dessas verbas, remunerar melhor os professores, exigir ensino de qualidade das escolas, cobrar produtividade dos estudantes e dos professores, e estimular as famílias a colocar seus filhos nas escolas desde cedo.

Vejamos a lição que vem de Monteiro Lobato (escritor, intelectual e editor literário brasileiro): “Um país se faz com homens e livros”; “Quem escreve um livro, cria um castelo. Quem o lê, mora nele”; “O grande mal do Brasil é a ignorância. A única forma de sair dessa situação é através da educação e do conhecimento”.

Wilson Campos (Advogado/Especialista com atuação nas áreas de Direito Tributário, Trabalhista, Cível e Ambiental/ Presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Interesses Coletivos da Sociedade, da OAB/MG, de 2013 a 2021/Delegado de Prerrogativas da OAB/MG, de 2019 a 2021). 

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