O POLÍMATA DE “MEU NOME É ENÉAS”.

 

De família pobre de Rio Branco, no Acre, ele se tornou rico em conhecimento. Professor, médico, cardiologista, escritor, político, poliglota e polímata, Enéas Carneiro brilhava por onde passava e impressionava com suas aparições icônicas na televisão, deixava sua marca de excepcional orador e revelava-se uma liderança do conservadorismo nacionalista no Brasil.

Além da medicina, o professor Enéas abraçou a política como forma de atuação nacional e elegeu-se deputado federal em 2002 por São Paulo com 1,5 milhão de votos. Mas antes, em 1989, fundou o Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA), e ficou famoso por suas candidaturas à Presidência da República nas eleições de 1989, 1994 e 1998, marcadas por discursos nacionalistas e tempos curtíssimos de televisão (apenas 15 segundos).  

Logo após criar o PRONA e lançar-se candidato à Presidência da República nas primeiras eleições diretas do Brasil, após o período da ditadura militar, Enéas mostrou à população brasileira que não estava para brincadeiras e mandou duros recados: na campanha, defendia a proteção intransigente das riquezas brasileiras, como a Amazônia, por exemplo, contra a exploração e a cobiça estrangeira, chegando a propor a expansão e o forte aparelhamento das Forças Armadas; denunciou a exportação de minérios brutos (como o nióbio) a preços baixos e defendia o controle estatal de setores estratégicos; cogitou a construção da bomba nuclear brasileira, o aumento do efetivo militar do país e outras bandeiras nacionalistas; e sempre se apresentou como um político radicalmente contrário ao aborto e à união civil de pessoas do mesmo sexo.

Em 1994, na segunda tentativa como candidato à Presidência, Enéas foi o terceiro mais votado do País, com mais de 4,6 milhões de votos, superando políticos tradicionais como Leonel Brizola e Orestes Quércia e ficando atrás apenas de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Em 1998, ele voltou a concorrer à Presidência da República e obteve o quarto lugar, com 1,4 milhão de votos.

O famoso bordão “Meu nome é Enéas!” marcou a história política brasileira, eternizando o professor, médico, cardiologista, escritor, político, poliglota e polímata Enéas Carneiro. Ele usava a frase incisiva e de forma acelerada para encerrar seus rápidos pronunciamentos no horário eleitoral gratuito nas décadas de 1990 e 2000. Se em 15 segundos ele mandava um recado forte e direto, imagina o leitor a reação que ele provocaria na sociedade se tivesse 15 minutos?

Para maximizar os poucos segundos na televisão, Enéas adotava um estilo vibrante e agressivo. Além do bordão, suas propagandas contavam com o som da Quinta Sinfonia de Beethoven ao fundo; um visual inconfundível, com óculos grandes e barba volumosa; e críticas categóricas à dependência econômica externa e aos políticos tradicionais.

O estilo singular funcionou. Enéas tornou-se um fenômeno midiático. Na política, a estratégia alavancou sua carreira: em 2002, como já informado acima, elegeu-se deputado federal por São Paulo com uma votação histórica, tornando-se o mais votado do país na época, com mais de 1,5 milhão de votos. O que era caricato passou a ser sério, diplomático, inquietante, íntegro e crítico. Enéas ganhou o respeito das pessoas de bem e do verdadeiro povo brasileiro.

Morto em 2007, Enéas Carneiro até hoje inspira a direita brasileira. Para o ex-presidente Jair Bolsonaro, ele é nada menos do que “um herói da pátria, um profissional brilhante, um exemplo político a seguir, que nunca cedeu à pressão; uma personalidade firme e corajosa, à frente do seu tempo”.

A sociedade brasileira aprendeu a respeitá-lo. Sua história de vida foi elogiada. Sua ascensão foi meteórica: aluno brilhante, leitor voraz, Enéas estudou e depois deu aulas de Medicina, Física, Química, Matemática, Biologia e até de Língua Portuguesa. Ele finalmente se tornou um cardiologista reconhecido, uma referência em sua área.

Ele esteve anos luz à frente da maioria dos políticos brasileiros. Não era rude, era educado e objetivo. Opôs-se firmemente às privatizações e à submissão aos ditames de organismos internacionais; acreditava que o Estado deveria ser forte e ter papel central na economia para garantir o bem-estar social, rejeitando o que chamava de capitalismo selvagem; defendia o resgate da moralidade e de um modelo cívico educacional rigoroso; e criticava duramente o que chamava de orgia editorial, propondo livros didáticos padronizados e únicos para as disciplinas básicas. 

Enéas não se enquadrava nessa cantilena de “esquerda” e “direita”. Ele afirmava que as classificações tradicionais de direita e esquerda eram ultrapassadas e as chamava de duas faces da mesma moeda; rejeitava tanto o que chamava de elitismo da direita quanto a desordem da esquerda, posicionando-se em uma terceira via focada estritamente no fortalecimento do Estado brasileiro.

O professor Enéas, como muitos o chamavam, era um defensor ferrenho da soberania nacional e da intervenção do Estado para proteger setores estratégicos; criticava fortemente o neoliberalismo, o livre mercado e a globalização, que ele via como ameaças à independência do Brasil; e defendia o respeito aos valores cristãos universais. Ou seja, Enéas era tudo que a esquerda abomina e que a direita atual procura defender. Era um defensor enérgico do conceito tradicional de família e de valores conservadores, e enxergava a estrutura familiar clássica como o pilar fundamental da sociedade.

Enéas não era autoritário. Ao contrário do que pensam os esquerdistas simpatizantes de ditaduras, ele era um símbolo de coerência e preparo técnico, e pretendia restabelecer a ordem e a grandeza do Brasil. Mas no final de abril de 2007, doente e fragilizado, abandonou o tratamento para leucemia, iniciado havia cerca de um ano, pois sentia que a quimioterapia não fazia mais efeito, e decidiu passar seus últimos momentos em casa, no Rio de Janeiro. Morreu dias depois, aos 68 anos, e teve suas cinzas jogadas na Baía de Guanabara, conforme pedira à família. Apesar da importância histórica de Enéas como recordista de votos, a imprensa dedicou pouco espaço à sua partida. Aliás, a imprensa brasileira prefere enaltecer líderes ignorantes e demagogos da esquerda, que gostam da proximidade com ditadores, em vez de dividir espaço e mídia com democratas e republicanos da direita.

Atualmente, quase duas décadas depois, Enéas tem circulado como nunca na internet, graças ao fenômeno dos “cortes” — clipes virais com mensagens simples e diretas, compartilhados com facilidade no WhatsApp e em diferentes redes sociais. Em vez de ser esquecido, ou registrado apenas em documentos tradicionais, Enéas foi “guardado” em dezenas de canais do YouTube, representando um ideal de meritocracia e excelência intelectual para seus seguidores.

Enéas, como dito antes, saiu da extrema pobreza no Acre e se tornou um cientista respeitado. Não aceitava ver o país governado por pessoas despreparadas e criticava duramente o “analfabetismo funcional” das elites políticas. Ele com certeza seria uma pedra no sapato desse atual governo despreparado, irresponsável e corrupto. Ele não compactuava com fichas sujas e muito menos com políticos mercenários carreiristas.

Fazem-se comparações entre Enéas e Bolsonaro. Porém, existe uma contradição. Enquanto o bolsonarismo e boa parte da direita atual defendem o liberalismo econômico (com privatizações, menos impostos e Estado mínimo), Enéas era estatista e intervencionista; ele via o mercado financeiro internacional com suspeita e acreditava que o governo deveria ser o tutor do povo; que as privatizações eram “negociatas” que entregavam riquezas e setores estratégicos para os “donos do mundo”. Enéas era extremamente nacionalista.

Doutor Enéas está nas redes sociais em 2026. O saudosismo se deve à grave situação política vivida hoje no Brasil – a esquerda pode falar e criticar o que quiser; a direita não pode nada. A censura é forte e a perseguição da esquerda contra conservadores e patriotas é presenciada todos os dias, impunemente. Daí o polímata Enéas ser lembrado pela direita, porquanto ele tivesse uma forte posição republicana, valorizasse a meritocracia e guardasse pavor de esquerdistas censuradores, perseguidores, desonestos, corruptos e corruptores.

O legado de Enéas é o da resiliência de quem tem bons propósitos e faz o bom combate; nacionalista e republicano; fiel aos bons princípios; precursor de pautas conservadoras e patrióticas; preservador dos bons costumes e das tradições da família; e incansável defensor de um Brasil grande, livre e independente.

Embora eu não concorde com tudo que o Doutor Enéas defendia, uma vez que ninguém é 100% perfeito, respeito o pensamento e a tenacidade do ardoroso patriota brasileiro, e reconheço seu valor político, ainda mais se comparado aos fracos e corruptos que hoje transitam pelos Três Poderes.

Considero o saudoso polímata e professor Enéas um exemplo de defensor intransigente da nação brasileira. Tenho apreço por sua luta em prol do Brasil e do Estado forte, antitotalitário. Valorizo muito a sua defesa contínua dos princípios de Ordem e de Autoridade, de patriotismo e de nacionalismo. Enfim, saudades da sua grande erudição e oposição contundente, defesa incondicional dos interesses pátrios, racionalidade e conhecimento, oratória firme e embasamento técnico. O polímata faz falta.

Wilson Campos (Advogado/Especialista com atuação nas áreas de Direito Tributário, Trabalhista, Cível e Ambiental/ Presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Interesses Coletivos da Sociedade, da OAB/MG, de 2013 a 2021/Delegado de Prerrogativas da OAB/MG, de 2019 a 2021). 

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Comentários

  1. Vicente Aminthas B. S.26 de maio de 2026 às 15:34

    Doutor Enéas faz falta mesmo e ainda mais hoje em dia que temos políticos ridículos e sem conhecimento nenhum. O atual presidente é analfabeto. O Congresso está cheio de interesseiros mercenários. O país está de cabeça pra baixo e ninguém faz nada de concreto com esse sistema corrupto e odioso. Enéas faz falta e se estivesse aqui hoje seria eleito Presidente da República com certeza, pela direita e pelo povo honesto brasileiro. O Brasil teria outro rumo com ele, com sua coragem e sua capacidade intelectual de poliglota e polímata. Dr. Wilson Campos parabéns e estamos juntos porque penso o mesmo dele e saudades mesmo do Doutor Enéas. Abr. Vicente Aminthas B.S. (jornalista e cidadão consciente).

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  2. Dalva A. F. Guimarães26 de maio de 2026 às 15:40

    Eu tenho recebido todos os dias uma mensagem e um vídeo sobre ele. Fico impressionada com a capacidade dele e com o respeito que falam dele. Eu era muito nova quando ele aparecia na tv e era político. Eu gostaria de ter conhecido ele. Eu já vi que ele atualmente, quase duas décadas depois, Enéas tem circulado como nunca na internet, graças ao fenômeno dos “cortes” — clipes virais com mensagens simples e diretas, compartilhados com facilidade no WhatsApp e em diferentes redes sociais. Em vez de ser esquecido, ou registrado apenas em documentos tradicionais, Enéas foi “guardado” em dezenas de canais do YouTube, representando um ideal de meritocracia e excelência intelectual para seus seguidores. Parabéns doutor Wilson Campos por ter escrito tudo assim sobre ele porque fiquei conhecendo mais e tendo ainda mais respeito pelo que ele foi. Att: Dalva A.F. Guimarães (estudante 9º período de direito e estagiária).

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