O BRASILEIRO LÊ MUITO POUCO E CADA VEZ MENOS.

 

Independentemente da leitura rápida de textos curtos, estamos nos referindo ao comportamento do leitor diante dos livros, ao ato de se debruçar sobre textos mais longos e complexos, e ao modo simples de interagir em face de contextos desenvolvidos nas redes sociais.

Segundo a 6ª edição da Retratos da Leitura no Brasil, o país perdeu aproximadamente 7 (sete) milhões de leitores em quatro anos. A única pesquisa nacional que avalia o quantum da leitura do brasileiro indica que a queda aparece em todas as classes, faixas etárias e campos de escolaridade.

Pela primeira vez na série histórica da pesquisa, a proporção de não leitores é maior do que a de leitores na população brasileira: 53% das pessoas não leram nem parte de um livro - impresso ou digital - de qualquer gênero, incluindo didáticos, paradidáticos, contos, romances, religiosos, autoajuda, infantis, entre outros.

O estudo de 2024 permite conhecer os resultados por unidades da federação e possibilita comparar os resultados de 2024 com os de 2019 e do restante da série histórica da pesquisa, por região. Vejamos alguns casos: Santa Catarina conta com 64% de leitores na população, e apareceu como o estado com maior proporção de leitores. Paraná e Ceará aparecem em seguida, com 54%. Minas Gerais tem cerca de 42% de leitores, sendo que os mineiros leem em torno de 2,97 livros por ano por vontade própria, liderando no Sudeste e à frente de São Paulo e Rio de Janeiro.

O destaque fica com a Região Sul, que é a única das cinco do país onde ainda há uma maioria de leitores na população: atualmente, 53% dos moradores dos três estados leram total ou parcialmente pelo menos um livro nos três meses que antecederam a pesquisa. Contudo, o dado é cinco pontos percentuais abaixo do verificado na edição anterior da pesquisa, quando a mesma região registrou 58% de leitores.

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil tornou-se muito mais do que um levantamento de dados; ela é um alerta para o brasileiro compreender os desafios na promoção da leitura; é um trabalho que reflete o compromisso com a transformação cultural do país; é um raio-X da relação do brasileiro com o livro.

Cabe destacar a importância de se aferir informações sobre hábitos e motivações para a leitura; as preferências sobre livros, gêneros e autores; o acesso a livros, em papel e digital, envolvendo bibliotecas e os diferentes meios e canais à disposição do leitor; a função das escolas e das famílias no desenvolvimento da leitura; e o incentivo a práticas leitoras em diferentes ambientes.

Vale observar que as simples ações de ver e ouvir estimulam a imaginação. As crianças, por exemplo, por meio de simples desenhos de personagens de histórias, conseguem contar um trecho do texto que mais gostaram. Isso melhora a percepção, o vocabulário e a comunicação delas com outras pessoas. O passo seguinte, a leitura, consegue a proeza de levar crianças tímidas a se soltarem na escola e conviverem com maior tranquilidade com os colegas. É o milagre da leitura. 

Ledo engano pensar que o celular, a TV ou as redes sociais são atividades que estimulam o cérebro. Não. A tecnologia não exige concentração, pois tudo é muito rápido. Você recebe enxurradas de conteúdos das redes sociais e nem sabe como surgiram. Em questão de minutos as informações mudam e você ali, absorto, sem entender o verdadeiro significado delas. Já no caso da leitura, por mais simples e leve que seja, exige que você preste atenção.

O brasileiro lê muito pouco e cada vez menos. Isso precisa mudar. Depois de adulo, começar a ler quando não se tem o hábito pode ser difícil, mas não impossível. As alegações e desculpas de falta de tempo e cansaço não convencem. Basta começar devagar, com um livro por vez sobre um assunto que a pessoa já goste. Criar o hábito da leitura é agradável, abre os horizontes e chama o conhecimento.

Não é necessário ler vários livros ao mesmo tempo, avidamente. Ler um pouco por dia, todos os dias, é o recomendável para que a prática não seja abandonada com o tempo. Melhor ainda é ter um lugar tranquilo e silencioso que contribua para uma maior concentração e, possivelmente, para criar certo gosto pela leitura, pela argumentação e pela escrita. A leitura tem esse poder.

A atividade da leitura requer disposição, porquanto seja uma maneira solitária de andar pelos caminhos dos livros, dos artigos e dos textos longos. O ato de ler acaba servindo de ponte entre o leitor e o texto. A disposição requerida pode ser o segredo, a chave, a senha para que o engajamento na leitura aconteça e o leitor tenha a concentração necessária para avançar no texto, absorver conhecimento e estar apto a dividir o que aprendeu.

A escola precisa sair da mesmice didática “moderna” e ficar mais atenta a essas dinâmicas tradicionais da leitura, para poder se apropriar delas conquistando os leitores, aproximando os alunos e criando boas expectativas. Essas conquistas passam pela socialização, interação, discussão em rodas e círculos de leitura. Na sala de aula, o simples fato de pedir um aluno para ler um texto na frente da turma, além de provocar a atenção do coletivo, estimula o desempenho individual.

Sem querer esgotar o tema, que é extenso e de alto significado para os brasileiros, cumpre a recomendação de se criar a praxe da leitura de textos, artigos, livros - impressos ou digitais. Deixe um pouco de lado o consumismo de rolagens infinitas no feed de redes sociais, de vídeos e notificações constantes e intermináveis. Saia do lugar comum e promova a concentração e o conhecimento. Afaste-se do emburrecimento coletivo, do vocabulário cada vez mais pobre, e promova o hábito de ler bons livros.

Portanto, enfim, saiba que a leitura é um processo individual de autoconhecimento; é um momento no qual você está sozinho com suas reflexões, sem pressa; apenas você, o livro, o texto, o artigo, por mais longos que sejam; mas em si uma leitura capaz de guardar uma literatura de qualidade e de possibilitar um espaço para refletir, criticar e interpretar.

“O leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma” (George R. R. Martin).

“Um livro é um sonho que você segura na mão” (Neil Gaiman).

“Ler é viajar sem sair do lugar” (Jhumpa Lahiri).

“Quem gosta de ler não morre só” (Ariano Suassuna).

“A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade não sente esta sede” (Carlos Drumond de Andrade).

Um país se faz com homens e livros” (Monteiro Lobato).

Wilson Campos (Advogado/Especialista com atuação nas áreas de Direito Tributário, Trabalhista, Cível e Ambiental/ Presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Interesses Coletivos da Sociedade, da OAB/MG, de 2013 a 2021/Delegado de Prerrogativas da OAB/MG, de 2019 a 2021). 

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Comentários

  1. Concordo 100% que o brasileiro lê pouco e cada vez mais está agarrado nas redes sociais vendo porcarias e videozinhos sem a menor qualidade. Outro dia eu vi na televisão um apresentador perguntar qual era a capital do Brasil e a moça disse São Paulo. Outra pessoa foi perguntada qual o plural de gaivota e ela respondeu ave. Outra foi perguntada quem assinou a lei Áurea e respondeu que foi a Áurea. Ou seja, fugiram da escola, não estudam, não sabem nada. Uma vergonha esse emburrecimento da juventude, que fica só na bagunça nas escolas e não leem nenhum livro e saem da escola sem nada aprender de bom. Dr. Wilson Campos achei seu artigo super da hora, objetivo e consciente, e agradeço muito pelo alerta da necessidade de mais leitura e mais livros e mais artigos e textos para incentivar a leitura. Matilda Alcântara (psicóloga infantil)

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  2. José Honorato S.F. de Bulhões.25 de maio de 2026 às 14:37

    Já dia o peta maior: “A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade não sente esta sede” (Carlos Drumond de Andrade). Então é isso mesmo e a pesquisa mostra ainda que cada ano diminui quem lê livros no Brasil e isso é uma vergonha nacional porque lá fora, no exterior, as pessoas leem muito, evoluem, e mostram conhecimento largo e capaz de derrubar argumentos pobres de quem não lê nada. Doutor Wilson Campos vamos gritar mesmo em nome da leitura e da boa educação. At: José Honorato S.F. de Bulhões (médico e professor univers.)

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  3. Eu também penso assim: "Não é necessário ler vários livros ao mesmo tempo, avidamente. Ler um pouco por dia, todos os dias, é o recomendável para que a prática não seja abandonada com o tempo. Melhor ainda é ter um lugar tranquilo e silencioso que contribua para uma maior concentração e, possivelmente, para criar certo gosto pela leitura, pela argumentação e pela escrita. A leitura tem esse poder". - De forma e maneira que ler é aprender, é conhecer, é tudo de bom. Ler é super importante. Isso, além das redes sociais que ajudam, mas estão cheias de bobagens sem sentido e que não acrescentam nada na vida das pessoas. Certo dr. Wilson, muito certo, e LER é preciso e já e sempre. Att: Leandro Justiniano (advogado e professor de especialização).

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