JUSTIÇA TRABALHISTA SUCATEADA
Em
que pese o reconhecimento da crise
econômica instalada no país, nada explica o percuciente corte de Orçamento da
Justiça do Trabalho, que direta e indiretamente causa enormes prejuízos aos
trabalhadores e à sociedade brasileira.
As
frágeis alegações de que as atuais leis trabalhistas prejudicam o
desenvolvimento nacional e estimulam a judicialização dos conflitos não têm respaldo
social nem muito menos legal. Não são suficientes para justificar o violento e
seletivo corte orçamentário impingido ao Poder Judiciário trabalhista.
Tentar
viabilizar a reforma trabalhista à custa da precarização do atendimento ao
jurisdicionado é um ato irresponsável e absurdamente alheio aos princípios fundamentais.
A via orçamentária trabalhista não há de ser o instrumento para a realização de
sonhos tardios e autoritários que pregam a extinção da Justiça do Trabalho.
A
violação do direito requer que lhe seja dada a necessária visibilidade, para
mostrar à população o retrocesso das garantias até então asseguradas ou para
dizer ao Executivo e ao Legislativo que, em um país de diferenças abissais como
o Brasil, todo o cuidado é pouco quando se sacrifica cada vez mais o
trabalhador com desemprego, custo de vida alto e serviços públicos precários.
Forçar a reforma trabalhista com canetadas de parlamentares sem legitimidade, investigados
e réus em processos judiciais é um tremendo erro, ainda mais quando empurram
cada vez mais para o fundo do poço o trabalhador comum e desautorizam a Justiça
do Trabalho.
O
fato é que o trabalhador está desamparado e entregue a um destino inimaginável,
principalmente quando a inércia impera na sociedade. Esta, tomada pela desesperança e
de cócoras, com o queixo nos joelhos, espera por uma solução que não virá,
posto que falta vontade política para uma verdadeira, democrática e justa reforma
trabalhista, mas longe desse arremedo de gestão pública que sacrifica o povo e
desmobiliza o Judiciário.
O
reflexo da situação caótica da Justiça do Trabalho já se faz sentir em Minas
Gerais, com audiências de instrução marcadas para 2017 e 2018, sem o
discernimento estatal de que a crise leva ao desemprego e, pela ordem, o
trabalhador a bater à porta dos tribunais. No entanto, o que se presencia são medidas antissociais, como o sucateamento e a falta
de estrutura do Judiciário, que travam o atendimento do cidadão e inviabilizam a prestação jurisdicional, principalmente a da Justiça do Trabalho.
Resta
à sociedade e à Justiça do Trabalho reverberar os acontecimentos e convocar as
entidades econômicas e profissionais a defender uma solução urgente para o problema, começando
por acionar o governo federal judicialmente, antes que os tribunais fechem as
portas por exclusiva falta de verbas.
O
sinal vermelho está ligado. A paralisação da Justiça do Trabalho representará perdas
e promessas de convulsão social. A pane geral precisa ser evitada. Cuide o
Executivo federal de encontrar uma saída, antes que seja tarde demais.
Wilson
Campos (Advogado).
(Este artigo mereceu publicação do jornal O TEMPO, edição de quarta-feira, 24 de agosto de 2016, pág. 23).
(Este artigo mereceu publicação do jornal O TEMPO, edição de quarta-feira, 24 de agosto de 2016, pág. 23).
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