RETRATO DE BH: CAOS NO TRÂNSITO E OBRAS PARADAS.

A falta de vontade política e a incapacidade de gestão estão transformando Belo Horizonte em uma capital sem o direito de ir e vir, segregada, ineficiente e de baixa qualidade de vida. A cidade deixou de ser um espaço de encontros e oportunidades, e a sua face cinzenta é o retrato do caos no trânsito, obras paradas e muito lixo espalhado e amontoado. Lamentavelmente, a cidade está suja, feia, triste, violenta, mal iluminada e terrivelmente descuidada.

O lamento dos cidadãos soa forte. A paciência dos belo-horizontinos está se esgotando, muito em razão dos graves problemas estruturais e da incompetência administrativa. O descaso com a cidade é imperdoável. As desculpas do poder público municipal em torno da degradada mobilidade urbana e da desatenção com os moradores não são mais aceitáveis.

O caos generalizado agravado por obras viárias paralisadas ou a passos de tartaruga em corredores vitais como a avenida Cristiano Machado; proximidades da estação São Gabriel; em frente ao Shopping Estação no Vetor Norte, e no encontro da MG-356 com a avenida Raja Gabaglia, no trevo do Belvedere, na região Centro-Sul, é “teste para cardíaco”, tamanhos os desafios emocionais diários, o desgaste físico de motoristas e pedestres, a perda de tempo nas idas e vindas, o estresse do trânsito engarrafado e os riscos de acidentes.

Andar ou dirigir pela cidade se tornou uma aventura, sem tempo certo para se chegar a um determinado destino. Nos trajetos feitos antes em 30 minutos, demora-se hoje em torno de 90 minutos. Há casos surreais de demora de até quatro horas no trânsito, principalmente no fim de tarde, e tudo piora quando ocorre qualquer acidente entre veículos. Enquanto isso, a prefeitura mantém-se inerte diante do trânsito caótico, dos longos congestionamentos, das obras abandonadas e dos incontáveis buracos nas vias.    

Quando chove, a cidade passa do caos ao terror. Os engarrafamentos triplicam. Os veículos se amontoam em ruas e avenidas esburacadas, algumas com placas de alerta de risco de alagamento. Os ônibus lotados disputam espaço com milhares de carros e motocicletas. Engenharia de tráfego tomada de amadorismo estrutural e semáforos antigos e obsoletos travam ainda mais o trânsito lento, causando grandes retenções. A falta de sincronização dos semáforos agrava a situação. Ou seja, se chover, só Jesus Cristo na causa.

Uma reflexão sobre o serviço público que envolve ruas, avenidas, pessoas, veículos e controle do tráfego: a limpeza deixa muito a desejar e tem lixo pra todo lado; o asfaltamento das vias danificadas é tardio e inacreditavelmente ruim; milhões de buracos e crateras são desafios diários; os contribuintes têm seus carros detonados, pneus furados, rodas quebradas e prejuízo no bolso. 

A responsabilidade civil objetiva é da prefeitura. Mas nada sensibiliza as autoridades, que só saem da inércia para instalar radares, que funcionam muito bem para multar e aumentar a arrecadação do município. Pobre e querida BH!

Wilson Campos (Advogado/Especialista com atuação nas áreas de Direito Tributário, Trabalhista, Cível e Ambiental/ Presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Interesses Coletivos da Sociedade, da OAB/MG, de 2013 a 2021/Delegado de Prerrogativas da OAB/MG, de 2019 a 2021). 

(Este artigo mereceu publicação do jornal O TEMPO, edição de quinta-feira, 18 de junho de 2026, pág. 17. Coluna de Wilson Campos). 

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Comentários

  1. No meu bairro Barro Preto tem de tudo - trânsito péssimo, morador de rua agressivo, lixo amontoado e nas calçadas, pichação de portas, buracos nas ruas, iluminação ruim à noite em muitas ruas, reclamações de moradores por causa da insegurança e violência em certos lugares do bairro, IPTU caro, lojas fechadas, canteiro centrais com mato e lixo, etc, etc. Dr. Wilson Campos o seu artigo no jornal O TEMPO mostra a realidade de como está nossa BH hoje em dia - obras paradas, trânsito caótico, suja, feia, triste, violenta, mal iluminada e terrivelmente descuidada. Quem gosta de BH precisa reclamar para ver se alguma melhoria vem. Att: Elias Messior (empresário/lojista).

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  2. Eu faço faculdade e trabalho com Uber e passo sempre por esses locais nos meus percursos e vejo mesmo o caos total em alguns trechos da Av. Cristiano Machado; próximo da Estação São Gabriel; bem em frente ao Shopping Estação na região Norte de BH, e na avenida Raja Gabaglia, no trevo do Belvedere. Eu concordo totalmente como dr. Wilson Campos - advogado - que é “teste para cardíaco” os grandes desafios diários de andar nesses locais. Não tem saúde que aguenta. Parabéns dr. Wilson Campos porque BH precisa da nossa preocupação na sua defesa. BH precisa melhorar muito. Abr. João Luiz R. Amón (estudante e Uber).

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  3. Cristina Maria C.S. Dumont18 de junho de 2026 às 15:44

    A obra de frente da estação do shopping estação está causando um terror na região toda e a fila de carros atinge a avenida pedro I, a av. cristiano guimarães, a av. cristiano machado, a entrada de venda nova e fica mais de duas horas para andar alguns quarteirões principalmente perto ali do hospital risoleta neves no fim da tarde e início da noite. É carro businando sem parar e não anda nada o transito. Deus nos livre de tanto sofrimento. Doutor WilsonCampos o seu artigo eu vou compartilhar e levar na associação do meu bairro para também ajudar a pedir providencias das autoridades de BH. Valeu!!! Cristina Maria C.S. Dumont (comerciante de alimentos embalados).

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  4. Eu tenho bem vividos 82 anos e o meu direito de ir vir em BH foi tirado mesmo porque se eu quero ir na rua andar um pouco numa caminhada vem um vagabundo querendo me assaltar e tomar meu celular, se eu saio de carro eu fico mais parado no engarrafamento do que percorrendo meu trajeto além da buraqueira pra todo lado das ruas, se eu vou andar na calçada os moradores de rua estão deitados o dia todo esticados travando a passagem, se eu vou cruzar uma rua o semáforo é antigo e rápido para o pedestre e lento para os carros, se eu vou na praça para sentar e ler eu desisto porque está suja, com mato e lixo espalhado. Melhor ficar em casa e deixar esse mundo louco e essa cidade tão mudada seguir seu curso. Meu caro advogado Wilson Campos eu assino embaixo do seu artigo e também amo BH mas precisamos reclamar mesmo porque é nosso direito querer o melhor para nossa BH. Parabéns.

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