DEBATE ENTRE LULA E FLÁVIO BOLSONARO TEM DE TUDO, MENOS PROPOSTAS PARA O PAÍS.

 

O primeiro debate entre Flávio Bolsonaro e Lula, na noite desse domingo (18/10), transmitido pela Band, começou com troca de acusações e ataques pessoais. Os candidatos, a uma semana do segundo turno da eleição presidencial, em vez de apresentarem suas propostas de governo, partiram para agressões e insultos.

Flávio mencionou a lobista Roberta Luchsinger e Lulinha (filho de Lula), ambos investigados por envolvimento no escândalo do INSS. Por outro lado, Lula questionou Flávio sobre o financiamento do filme Dark Horse com recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master.

O debate foi dividido em três blocos. No primeiro, os mediadores fizeram perguntas que foram respondidas pelos dois candidatos. Sobre uma pergunta sobre a segurança pública e a redução da maioridade penal, Flávio disse que irá declarar guerra contra o crime organizado e classificar PCC, CV e milícias como terroristas. “Não vai ter ninguém passando a mão na cabeça de bandido como acontece no atual governo; [...] quem vai andar com medo nas ruas são eles”, declarou.

Lula iniciou sua fala criticando Flávio Bolsonaro por não ter se manifestado favoravelmente à PEC da Segurança Pública, enviada pelo governo ao Congresso em 2025. O presidente afirmou que sua gestão aprovou a lei antifacções e está combatendo o crime organizado, inclusive com operações contra o “andar de cima”, ou seja, pessoas que atuam nos níveis mais altos dessas organizações. Lula também defendeu a PEC, que, segundo ele, permitirá maior integração entre União, estados e municípios no enfrentamento à criminalidade. 

Em seguida, ocorreu o primeiro embate direto, com o tempo de 15 minutos para administração de cada candidato. Lula fez a primeira pergunta sobre Flávio ter votado contra a ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual no Rio, mas o candidato do PL respondeu com o questionamento sobre as relações do filho do petista com a lobista Roberta Luchsinger. 

Lula afirmou não conhecer a lobista, disse que ela é um problema da Polícia Federal e sugeriu que a lobista teria sido induzida a dar uma entrevista à CNN na noite de sábado (17/10). Lula também disse que Lulinha disponibilizou dados bancários e telefônicos para investigação e acusou o governo de Jair Bolsonaro de ter abrigado a organização responsável pelas fraudes no INSS.

Flávio contestou que quem “roubou” os aposentados e pensionistas foi o governo do PT. Lula pediu explicações de Flávio sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e os valores associados ao financiamento do filme Dark Horse. Flávio, por sua vez, acusou Lulinha de estar na Espanha para fugir das investigações e criticou a atuação da PF no caso.

Lula rebateu dizendo que o irmão do candidato do PL Eduardo Bolsonaro estaria nos Estados Unidos “conspirando contra o Brasil” e afirmou que os envolvidos deveriam responder à Justiça. 

O confronto ficou mais acalorado quando Flávio chamou Lula de corrupto, exibindo a mão com a palavra e as letras “PT” destacadas. Lula, na contrapartida, pediu a explicação sobre o destino de recursos associados ao caso Vorcaro. O petista chamou o senador de “irresponsável” e afirmou que “ele consegue ser pior do que o pai”, em referência a Jair Bolsonaro.

Eu assisti o debate, do início ao fim, e o que vi foi uma discussão sobre questões pessoais, sem a efetiva entrega de um programa de governo com propostas para o crescimento e o desenvolvimento do Brasil.

Vi também que Flávio saiu vencedor do debate e Lula amargou mais uma derrota depois da desvantagem no primeiro turno. Apesar de décadas de campanhas nas costas, Lula deveria estar acostumado às provocações dos adversários em debates, mas se irritou, se desconcentrou e, quando abriu a boca, só piorou as coisas. Aliás, Lula fala mentiras o tempo todo.

A dificuldade do petista para manter a compostura chamou a atenção até mesmo da imprensa internacional. O jornal progressista francês Le Monde, tradicionalmente favorável a Lula, destacou como ele teve de se segurar para não perder a paciência com Flávio. Já o espanhol El País apontou que as provocações deixaram Lula sem jeito e sem rumo – e que ele se enrolou até nas considerações finais. 

Durante o debate, Lula cometeu várias gafes. Vejamos:

1ª) “Malandro carioca” 

Lula quis chamar Flávio Bolsonaro de mentiroso, recorreu a um estereótipo batido e acabou ofendendo uma cidade inteira. Mas Flávio não desperdiçou a bola levantada. Depois do intervalo, o senador declarou solidariedade aos cariocas e deixou para Lula a tarefa de se entender com eles. A ofensa aos moradores do Rio de Janeiro não vai ficar por isso mesmo. Os cariocas estão indignados com a fala do petista e prometem resposta nas urnas digitando o 22.  

2. Lulinha? Quem? 

Depois de cobrar explicações sobre as denúncias da empresária Roberta Luchsinger, Flávio perguntou se Lula também diria que não conhecia Lulinha - e ouviu um “Quem?”. O senador riu, repetiu o nome e o presidente finalmente esclareceu que “Lulinha é meu filho”. Por um instante, parecia que Lula tinha encontrado uma saída para um dos maiores problemas de sua campanha: não conhecer o próprio filho. Mas Lulinha está tão enrolado no caso da fraude do INSS, que Lula não sabe mais como se desvencilhar das indiretas.

3. “Cidadões de primeira categoria” 

Lula foi defender a criação de uma universidade indígena e conseguiu insultar, na mesma frase, a língua portuguesa e os próprios índios. Segundo o presidente, a instituição serve para que eles se tornem “cidadões [sic] de primeira categoria”. A fala pegou mal entre os amantes da “flor do Lácio” e, principalmente, os chamados povos originários (que, pelo visto, precisam de diploma para deixar de ser cidadãos de segunda). Lula comete dois erros crassos: agride a língua portuguesa com “cidadões” e ofende os índios quando diz que vai torná-los de primeira categoria, como se os considerasse de segunda categoria. É isso mesmo, Lula?

4. “Eu não sou palhaço” 

Lula se incomodou com Flávio atrás dele e foi reclamar para os mediadores - como uma criança que chama a professora para dar uma bronca no coleguinha. “Se ele estiver zombando de mim, eu quero direito de resposta, porque eu não sou palhaço, quem é palhaço aqui é ele”. Faltou pouco para o presidente pedir que o senador fosse colocado no cantinho do castigo. Lula, despreparado, perdeu o equilíbrio e provocou risadas de quem assistia ao debate pela Band.

5. “O Brasil acabou” 

Não bastassem as gafes e os escorregões, nas considerações finais, Lula tinha dois minutos para convencer o eleitor e caprichou na lambança: “Nesse quarto mandato, a gente vai dizer, ‘o Brasil acabou’”. Ele tentou consertar falando de um país grande e desenvolvido, mas se enrolou até o tempo acabar e o microfone ser cortado. Como em outros momentos do debate, Flávio nem precisou dar um pio para Lula se complicar sozinho. Ou seja, Lula teria se saído melhor se ficasse calado. 

A meu ver, o Brasil perdeu uma boa chance de conhecer as propostas dos dois candidatos, embora Flávio tenha exposto algumas das suas. Mas Lula não propôs nada e nada entregou de propositivo. E observo que:

- O primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais de 2026- realizado nesse 18 de outubro entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) – foi criticado pela sociedade brasileira e também muito criticado por analistas, pela imprensa nacional e internacional devido à falta de propostas de governo. O debate teve excessivo foco em ataques mútuos.

- A polarização entre os dois candidatos levou o detalhamento de planos para segundo plano, fazendo com que o eleitor ficasse no campo da politicagem e sem conhecer a viabilidade técnica das medidas que poderiam ser interessantes para o povo e o país. Flávio ainda apresentou algumas ideias e propostas, mas Lula não apresentou nada e ficou perdido entre as acusações que sofreu de escândalos financeiros passados e presentes.

- O confronto foi marcado por embates sobre escândalos de corrupção, investigações envolvendo familiares e a gestão de crises passadas. De um lado, os questionamentos sobre a pandemia de Covid-19, e de outro, a fraude bilionária nas aposentadorias dos velhinhos do INSS. Dois candidatos se digladiando em público, mas sem grandes soluções para o progresso do Brasil. Enquanto Lula se enfiava de cabeça no poço da asfixia econômica atual, Flávio ganhava pontos com o desastre fiscal do governo petista.

Sinceramente, vejo que Flávio saiu-se melhor no debate e Lula ficou nas cordas, abatido e sem forças para redarguir. Mas no todo, observo que, se o objetivo era conquistar o eleitorado indeciso com a apresentação de propostas, nenhum dos dois teve êxito. Presenciou-se um debate cheio de acusações e vazio de propostas. Ademais, em suma, os brasileiros precisam de menos promessas irrealizáveis e de mais propostas concretas. É assim que entendo.   

Fontes: Imprensa nacional e internacional/Jornal Gazeta do Povo e Blog Direito de Opinião.

Wilson Campos (Advogado/Especialista com atuação nas áreas de Direito Tributário, Trabalhista, Cível e Ambiental/ Presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Interesses Coletivos da Sociedade, da OAB-MG, de 2013 a 2021/Delegado de Prerrogativas da OAB-MG, de 2019 a 2021).

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Comentários

  1. José Roberto J. G. Luna19 de outubro de 2026 às 17:20

    Verdade - Flávio Bolsonaro ganhou o debate disparado. Lula perdeu o debate, vai perder o segundo turno das eleições e vai perder o rumo. Justiça já para o povo brasileiro certo dr. Wilson Campos?. Justiça e Deus pelo povo. Chega de esquerda. Brasil e povo no comando junto com a direita - pátria, família, propriedade, iniciativa privada e menos impostos para crescer e gerar emprego. . José Roberto J.G. Luna (empregador e pagador de impostos).

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