PREFEITO, PAGUE A DESAPROPRIAÇÃO DA MATA DO PLANALTO.

 

A Mata do Planalto é uma das últimas áreas verdes de Belo Horizonte. Está localizada no bairro Planalto, na região Norte da capital, com área de 119.630,89 m². Tem indispensáveis e exuberantes fauna, flora e nascentes. É típica do bioma de Mata Atlântica, rica em biodiversidade e conta com a proteção da Lei Federal 11.428/2006 e do artigo 225 da Constituição.

Em 2016, o ex-prefeito Alexandre Kalil, em sua campanha eleitoral para o primeiro mandato, disse em alto e bom som: “A Mata do Planalto é intocável”. Em 2021, no seu segundo mandato, Kalil assinou o Decreto nº 17.775, declarando de utilidade pública, para fins de desapropriação, os terrenos da área verde. A partir daí se deu o trâmite da ação de desapropriação, que conta com uma decisão para depósito do valor de R$28.125.000,00 de avaliação do bem.

Em 22 de abril deste ano, uma nova reunião foi realizada na sede da prefeitura, com a presença de autoridades do município e representantes das comunidades. Ficou registrado que o atual prefeito Álvaro Damião envidaria esforços para a conclusão do processo de desapropriação dos terrenos da Mata do Planalto e cumpriria a promessa de preservar integralmente a essencial área verde. No entanto, o município vem postergando a conclusão do processo e interpondo recursos, sem apresentar, de fato, boa vontade para indenizar os proprietários, transferir o imóvel e se imitir na posse.

Prefeito Damião, pague a desapropriação da Mata do Planalto. Faça, ainda que tardia, a dotação orçamentária e cumpra o dever do poder público de defender e preservar o meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações (art. 225 da CF). Saia da inércia, obtenha os recursos por meio de créditos suplementares legais ou determine a previsão da despesa no Orçamento do próximo ano.

Trata-se de uma demanda popular de mais de 20 anos, com esforço humano e ações judiciais em curso. Os moradores da região defendem a mata no interesse da coletividade. Não se pode admitir, portanto, que a tutela ambiental seja negligenciada e muito menos abandonada pelo município. E não se trata de um favor aos belo-horizontinos, mas de uma obrigação municipal.     

Ainda que o ajuizamento da ação de desapropriação tenha se dado dentro do prazo legal, a inércia proposital do município de não propor um acordo ou depositar o valor homologado, sob risco de caducidade do decreto, denota claramente a indiferença do prefeito, que cogita apenas elaborar uma proposta para ampliar o alcance da Transferência do Direito de Construir (TDC) ambiental e encaminhar à Câmara para alteração da legislação.

Destarte, não há segurança jurídica imediata na medida pensada, mas apenas falácia e protelação, esquecendo-se o prefeito que os atos da administração pública devem seguir estritamente os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (art. 37 da CF).

Cabe ao cidadão fazer sua parte enquanto morador, levantar-se na defesa da Mata do Planalto, usar os seus contatos, as redes sociais, acionar os seus representantes eleitos e protestar contra esse anunciado crime ambiental, antes que seja tarde demais.

Wilson Campos (Advogado/Especialista com atuação nas áreas de Direito Tributário, Trabalhista, Cível e Ambiental/ Presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Interesses Coletivos da Sociedade, da OAB-MG, de 2013 a 2021/Delegado de Prerrogativas da OAB-MG, de 2019 a 2021).

(Este artigo mereceu publicação do jornal O TEMPO, edição de quinta-feira, 22 de outubro de 2026, pág. 19. Coluna de Wilson Campos). 

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Comentários

  1. Parabéns ao advogado dr; Wilson Campos que luta de graça, sem honorários por esta Mata do Planalto há 20 anos. Este trabalho é de cidadania forte e a população precisa cobrar da PBH uma solução defintiva para o caso e chega de enrolação do prefeito. Sugiro passeatas e caminhadas na defesa dessa área verde tão importante para a região norte e para BH. Chega de descuido e de má vontade do prefeito Álvaro Damião e dos órgãos ambientais da PBH. Vamos defender nosso meio ambiente povo de BH. Pedro Junqueira (cidadão e belo-horizontino).

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  2. Estella F. R. Miranda22 de outubro de 2026 às 10:52

    Eu sou de opinião que quando o povo quer o povo consegue. Basta o povo querer e as autoridades afinam e cedem porque o povo é que tem a soberania e ponto final. Concordo 100% : Cabe ao cidadão fazer sua parte enquanto morador, levantar-se na defesa da Mata do Planalto, usar os seus contatos, as redes sociais, acionar os seus representantes eleitos e protestar contra esse anunciado crime ambiental, antes que seja tarde demais. Parabéns Dr. Wilson Campos, advogado competente e cidadão elogiável. Nós agradecemos todo seu trabalho e sua dedicação jurídica. Att: Estella F.R. Miranda (empreendedora MEI e EPP - região norte).

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  3. Rogério L. P. Lamounier N.22 de outubro de 2026 às 11:02

    Eu contei aqui no blog do doutor Wilson e vi que ele escreveu já mais de 20 artigos defendendo a Mata do Planalto além da sua defesa desta área verde no judiciário há mais de 20 anos. PARABÉNS!!! Um trabalho de louvor e que merece nosso reconhecimento. Vamos lá senhor prefeito e paga a desapropriação e preserva essa maravilhosa Mata do Planalto para todos nós de BH. Preservar e conservar o meio ambiente é dever de todos certo Dr. Wilson? Vamos Prefeito Damião, pague a desapropriação da Mata do Planalto. Faça, ainda que tardia, a dotação orçamentária e cumpra o dever do poder público de defender e preservar o meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações (art. 225 da CF). Saia da inércia, obtenha os recursos por meio de créditos suplementares legais ou determine a previsão da despesa no Orçamento do próximo ano. Vamos lá minha gente de BH defender essa área verde que é mesmo importante para até mesmo colher as águas das chuvas porque por aqui quando chove na região norte e outras da cidade é alagamento pra todo lado. Eu estou pronto pra ajudar e contem comigo. Rogério L. P. Lamounier N.(médico).

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