REAJUSTE DO BOLSA FAMÍLIA AGORA É MEDIDA ELEITOREIRA DE LULA.
O Reajuste de 15,04% no Bolsa Família anunciado nesta quinta-feira (17/09) pelo presidente Lula é medida puramente eleitoreira, visando conquistar votos quando ele está caindo nas pesquisas e tendo reprovação elevada do eleitorado brasileiro. Ora, Lula é candidato à reeleição e está desesperado com seu prestigio abalado e cotação em queda no quadro eleitoral de 2026.
Lula está fazendo caridade com o dinheiro do contribuinte, e afundando ainda mais o barco do equilíbrio fiscal. Ou seja, Lula está usando o bolso alheio para reajustar benefício social em plena campanha política. Ademais, o reajuste cria uma conta de R$ 90 bilhões para o próximo governo.
A crise econômica do Brasil é imensa, e o governo Lula ainda aumenta o caos das finanças públicas com mais uma conta altíssima, que será usada como mote de campanha dele, mas cuja despesa salgadíssima deverá ser paga pelo trabalhador, pelo contribuinte. Falta responsabilidade do governo nessa medida.
O piso do Bolsa Família passará dos atuais R$ 600 para R$ 691. O impacto será enorme ainda neste ano e nos anos vindouros. Em que pese a necessidade dos mais pobres, aumentar o valor do benefício neste momento eleitoral é absurdamente imoral, pois caracteriza possível “compra de voto” ou ideia muito similar a essa adotada.
Outro detalhe a ser observado é que o Bolsa Família deve ser destinado apenas às pessoas que não tenham condições de trabalhar. Pagar o benefício a quem pode trabalhar é usar de populismo barato e enfraquecer o mercado de mão de obra. No país, hoje, milhões de pessoas estão vivendo à custa do Bolsa Família, e não querem trabalhar com carteira assinada, ou seja, preferem o benefício do que um emprego.
O reajuste de 15,04% no valor das parcelas do Bolsa Família, volto a dizer, criará uma conta de aproximadamente R$ 90 bilhões para os quatro anos de mandato do próximo presidente. A cifra resulta de uma extrapolação a partir de estimativa do próprio Ministério do Planejamento e Orçamento de que a medida elevará em R$ 22,7 bilhões as despesas anuais com o programa. O montante pode variar a depender de novos reajustes e da mudança no número de beneficiários.
Veja o leitor que, já para 2026, a elevação da parcela mínima do benefício de R$ 600 para R$ 691 resultará em um aumento de R$ 5,8 bilhões nas despesas federais.
A medida é eleitoreira e chama a atenção por ocorrer a apenas 17 dias do primeiro turno das eleições, em um momento em que Lula aparece despencando nas pesquisas de intenção de voto. Desde o início do atual mandato, em 2023, o Bolsa Família não havia tido qualquer reajuste por parte de Lula. Por quê? E por que agora, às vésperas da eleição?
Pior ainda é constatar que o gasto público adicional para 2027 não está previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual, enviado pelo governo Lula ao Congresso Nacional há pouco mais de duas semanas, em 31 de agosto. Como assim? Esse gasto absurdo surgiu por qual motivo? Reeleição de Lula?
O aumento nas despesas é anunciado ainda em um contexto de pressão sobre as contas do governo. Há projeção de um déficit primário de R$ 52,27 bilhões para este ano, segundo o Prisma Fiscal, sistema de coleta de expectativas de instituições financeiras gerido pelo Ministério da Fazenda. E conforme apurou o jornal Gazeta do Povo, a equipe econômica do governo ainda adotará outras medidas que elevariam despesas, como um aumento no benefício do programa Pé-de-Meia, do Ministério da Educação, e uma nova subvenção ao óleo diesel, para evitar mais aumentos no preço do combustível, que já está caríssimo.
O governo Lula está no fundo do poço, com as finanças públicas arrasadas, e mesmo assim arranja desculpas para justificar esses aumentos eleitoreiros. O país inteiro sabe que não existe mais espaço fiscal e não tem como custear essa medida eleitoreira de Lula, que está tentando de tudo para se manter na corrida da eleição presidencial.
O decreto presidencial que institui o reajuste foi assinado por Lula nesta quinta, a apenas 17 dias das eleições. As parcelas do benefício já com o aumento começarão a ser pagas em 19 de outubro, entre o primeiro e o segundo turnos das eleições.
No governo anterior, em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro também elevou o valor do benefício social, à época chamado de Auxílio Brasil, mas isso se deu a três meses da votação, quando o benefício foi reajustado de R$ 400 para R$ 600 por meio de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) aprovada semanas depois, com validade inicial prevista até o mês de dezembro. Na época, a medida foi duramente criticada por membros do atual governo Lula, mas hoje eles fazem o mesmo e ainda pior – a apenas 17 dias das eleições.
Veja o leitor que, naquela ocasião, a então presidente do PT, Gleisi Hoffman, disse: “Bolsonaro acha que aumentando Auxílio Brasil, vale-gás e dando auxílio aos caminhoneiros às vésperas das eleições vai salvar sua pele. Engana-se! O povo sabe quem se preocupa com ele e quem é oportunista e cara de pau. Se fosse preocupado com o povo, tinha tomado medidas antes. Não fez”.
Agora, em 2026, a 17 dias das eleições, Gleisi não fala nada, pois seu chefe faz o que antes eles criticavam. Quem é oportunista e cara de pau agora?
Sem nenhuma dúvida, é uma medida eleitoreira de Lula, pelos seguintes motivos: o anúncio vem 17 dias antes do 1º turno, e se trata de um aumento expressivo, de 15,04%; o pagamento começa em outubro, logo depois do 1º turno e antes do 2º turno da eleição; o Bolsa Família é um programa que alcança milhões de brasileiros; e o reajuste ocorre numa eleição na qual Lula é candidato à reeleição e está em dificuldades nas pesquisas.
Então, de fato, está mais do que claro que é uma medida eleitoreira.
Wilson Campos (Advogado/Especialista com atuação nas áreas de Direito Tributário, Trabalhista, Cível e Ambiental/ Presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Interesses Coletivos da Sociedade, da OAB-MG, de 2013 a 2021/Delegado de Prerrogativas da OAB-MG, de 2019 a 2021).
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