FUTURO INCERTO



O país caminhava razoavelmente bem até que os profanadores dos templos sagrados do Estado resolveram partir para o enriquecimento ilícito. Os interesses pessoais foram colocados acima dos interesses públicos. A ganância por dinheiro fácil falou mais alto e a coletividade foi enganada por uma turma seleta de espertalhões. Os horizontes, até então promissores para os cidadãos, tornaram-se sombrios. O futuro se tornou incerto. O Estado, mal administrado, tão somente voltado para a arrecadação, curvou-se às vontades dos políticos acostumados à exploração do povo.

A gasolina, o gás de cozinha, a água, a luz, a internet, o material escolar, a passagem de ônibus, o arroz, o feijão, todos, transformaram-se nos vilões da economia. Entretanto, o povo sabe que o Estado sempre foi o grande culpado pela má gestão, pela mão grande e pela desonestidade peculiar à maioria dos políticos de plantão.

O Estado, deliberadamente, opera na função quase exclusiva de coletor de tributos, afasta-se cada vez mais do ensinamento doutrinário tradicional, donde o seu conceito seja a reunião de pessoas, território, autoridade e soberania. O Estado deixou de ser povo para se transformar em máquina.

O sofrimento do povo está com horizonte e futuro incertos, traçados pela malévola máquina estatal, que não tem sensibilidade e é mal dirigida por pequenos, que querem ser grandes, sem, no entanto, competência para tanto.

A situação do país é crítica. O governo, interino, para não dizer acéfalo, recolhe-se na sua insignificância administrativa, e o caos toma conta das instituições que não têm função segura. As lambanças antiéticas, os escândalos bilionários e os atos de corrupção incontida sujam e destroem tanto quanto a lama que arrastou casas, tirou vidas e envenenou o Rio Doce. 

A incredulidade do povo, quando se imagina finda, do nada recomeça e o desespero retorna às vidas dos simples cidadãos. O incerto assusta a todos. O desemprego cresce, os preços aumentam e os juros sobem, além do possível e suportável. No entanto, o Estado não atua e a beligerância se instala.

O fundo do poço em que se encontra o país parece não assustar os detentores do poder, porquanto estejam com os seus salários em dia e os empregos momentaneamente garantidos. De resto, a população e os setores produtivos estão atordoados, sem rumo e desprovidos de meios para quitar as dívidas e honrar os compromissos. A desesperança nacional parece não incomodar os comandantes do barco a deriva.

Apesar do futuro incerto e de todos os imbróglios sociais, políticos e econômicos, que assombram o país, a camarilha deita e rola na negociação de emendas - serventia da troca da honestidade pelo interesse particular. Em nenhum momento os “nobres” representantes do povo pensam na sociedade ou no interesse coletivo. Pensam apenas e tão somente nos seus próprios interesses, medidos pela régua da ganância e impunes pelo foro privilegiado. Mas em nenhum momento pensam na nação.

Em que pese o esforço da sociedade cidadã na busca frenética por alguns poucos momentos de felicidade, na expectativa de um país melhor, o Estado corrompido e em ruínas não ajuda, a politicagem não deixa e o sofrimento e a carência continuam impregnando o corpo e a alma dos brasileiros.

Nessa ciranda louca de irresponsabilidades, quem mais perde é o povo. Se por um lado a desgraça do país é pela política rasteira, pela incompetência dos governantes, pela depravada improbidade administrativa, pelo alto custo de vida, pela excessiva carga tributária, pela impunidade da violência e pela falência dos Três Poderes, por outro, a carência é de patriotismo, de padrões éticos, de lideranças ilibadas, de cidadania e de amor pelo país. 

Oh! Minas Gerais. Até tu perdeste o lugar ao sol. Até tu foste passada para trás, vergonhosamente, sofrendo derrotas e amargando vexames. Cadê o teu metrô, as tuas rodovias, o teu rodoanel, o teu ferroanel, os teus investimentos, os teus direitos, as tuas garantias, a tua força política de outrora? Cadê, Minas Gerais?

O silêncio já não cabe mais. A inércia, a posição de cócoras, a cegueira, a omissão, a preguiça, a desfaçatez, já não cabem mais. O recomeço tem de ser agora, pelas mãos do povo, enquanto há segurança jurídica e algumas instituições de pé. Mas não se enganem - os crimes devem ser punidos; os infratores penalizados; o dinheiro devolvido aos cofres públicos; os culpados presos; a democracia preservada; a Constituição respeitada; os horizontes reabertos e o futuro definido.

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Wilson Campos (Advogado/Presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Interesses Coletivos da Sociedade, da OAB/MG). 



Comentários

  1. Tenho pena dos jovens que enfrentarão essas bestas de políticos ladrões que não são parados nem pelo judiciário. Que judiciário é esse que deixa essa cambada de corruptos questionar a sua decisão? Que judiciário fraco é esse que deixa o Estado cair na desgraça que caiu, sem tirar do caminho essa corja de ladrões que estropiam o país? Estado forte é Estado que governa com o povo, e não essa coisa manipulada por deputados e senadores vendidos e acovardados no Congresso, sob a fumaça do foro de privilégios. Tristeza e pena da minha gente, mas revoltado e indignado também. Vamos à luta minha gente. Vamos governar no lugar dessa cambada de pilantras congressuais. Vamos Dr. Wilson, porque o senhor é sério e sempre correto em tudo que fala e faz. Vamos juntos, doutor, porque o povo precisa de gente honesta a conduzir a caravana. Eu sou cidadão e me chamo Cláudio B. Benvenutto G.

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  2. Está mesmo muito difícil e cada dia pior. O povo precisa se levantar e deixar de ser omisso e exigir respeito com o dinheiro público, com a coisa pública, com a Constituição Federal. Parabéns Dr. Wilson por tudo que faz. Celene M.G.H.J.

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