MEDALHA DA INCONFIDÊNCIA.


 
Nesse 21 de abril, na entrega da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto, o governador Fernando Pimentel (PT) homenageou personalidades de várias áreas, mas se esqueceu de uma pessoa muito importante, quiçá a mais importante, que mereceria a homenagem das homenagens. Estou falando da professora mineira Helley de Abreu Silva Batista, que morreu tentando salvar crianças do incêndio na creche em Janaúba.
                                   
O governador não homenageou a coragem nem o heroísmo da educadora. No entanto, cercou a cidade com forças policiais, fez discurso político por Lula livre e o chamou de "herói". Usou da conveniência partidária e afastou os protestos de manifestantes contrários a seu governo. Governo que parcela salários de servidores públicos civis e militares. Governo que não repassa as verbas dos municípios, inviabilizando as cidades do interior. Governo que ficará na história como o da ruína financeira mineira.
                                       
Independentemente do valor simbólico e do merecimento da medalha, os agraciados ficariam muito mais bem homenageados se tivessem a companhia "in memoriam" da intrépida professora Helley, que não teve medo e enfrentou as chamas para salvar seus alunos do incêndio criminoso, demonstrando o verdadeiro significado do que é ser, de fato, herói ou heroína, na excelência do conceito criado pela Inconfidência Mineira. Assim como Tiradentes, ela deu sua vida por uma causa justa e defendeu com sacrifício imenso suas crianças, seus alunos, seus amiguinhos queridos.

Com certeza, a Medalha da Inconfidência teria mais brilho com uma homenagem à professora, mas ela não teve essa atenção do governador nem de seus assessores. Eles não souberam entender a magnitude do gesto da educadora, que, por sua vez, entendeu o significado da vida, do amor e da compaixão e não pensou em si, mas nos "anjos" que a rodeavam e pediam por socorro, desesperadamente.

Na praça Tiradentes faltou uma lembrança, faltou uma homenagem. Nas flores colocadas no monumento a Tiradentes faltou uma semente. No fogo simbólico que acendeu a Pira da Liberdade, faltou uma luz. Na salva de 21 tiros faltou o reconhecimento do poder público. Na execução do hino nacional faltou a humanidade da letra na parte que diz: "Verás que um filho teu não foge à luta/ Nem teme, quem te adora, a própria morte". A professora Helley não temeu a própria morte, enfrentou e lutou com o causador da tragédia e salvou vários pequeninos da ira impiedosa do louco.
                    
Sem comparações, uma vez que Tiradentes foi um protomártir e herói máximo da nação, atuando na defesa da integridade republicana, e a professora Helley, uma dedicada educadora, que atuou na defesa do ensino e das vidas de seus "anjos" inocentes, ainda assim e por isso mesmo, a história deve uma homenagem à mulher que sensibilizou Minas Gerais e o Brasil, com seu gesto magnânimo, digno de todas as reverências humanamente patrióticas.


Wilson Campos (Advogado/Presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Interesses Coletivos da Sociedade, da OAB/MG).

(Este artigo mereceu publicação do jornal O TEMPO, edição de terça-feira, 24 de abril de 2018, pág. 19).
 


Comentários

  1. Parabéns por mais um excelente Artigo no jornal O Tempo.
    Marco Antônio .


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  2. MARAVILHOSO. FANTÁSTICO. AMEI. PARABÉNS DR.!!!
    Emília S. Q. A.

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  3. Como sempre, um primor de artigo, oportuno e dentro da linha de defesa dos interesses da coletividade, da cidadania, de um Brasil melhor para todos. PARABÉNS DR. WILSON. Concordo com tudo que foi dito e assino embaixo. Ricardo P. S. Jr. - MG/Brasil.

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  4. Dr. Wilson
    o 21 de abril deveria ser mais pacificado.
    realmente foi um fiasco o 21 de abril em ouro preto.a professora helley de abreu siva que salvou muitas vidas de muitas crianças,nosso futuro, deveria obrigatoriamente ser homenageada,como heroína igual tiradentes,homenagem mais que especial para ela.
    mas o governador preferiu erradamente homenagear pessoas de fora de outros estados,acho que se tiradentes é mineiro,todos os lembrados,também deveriam ser somente de minas gerais.
    foi o mais tumultuado 21 de abril da história,com protestos de todos os lados políticos.
    estamos vivendo num país de sul-realismo.
    eu não estou acreditando no dia a dia de nosso país,nunca vi nada antes parecido,pior que 1964.
    o saudoso cineasta baiano glauber rocha,deve estar se revirando no tumulo,mas terra em transe de sua autoria representa o presente e passado do brasil,e porque não dizer o futuro.brasil psicanalítico.o brasil é muito impopular no brasil,de nelson rodrigues
    abraço
    marco tulio

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  5. Caro Dr. Wilson,
    Primoroso o seu texto. Parabéns.
    Abraço do Arthur Lopes.

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  6. Muito bom!

    Temos que nos manifestar continuamente contra esta inversão de valores e a consequente tomada da cena política !

    O Sr. sempre impecável!

    Parabéns!!
    Dulcina F.

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  7. PREZADO ADVOGADO,


    BELEZA, ESSE CARA É PILANTREL,
    E COMO SE TRATA DE MATÉRIA PÚBLICA,
    POSSO PUBLICÁ-LA?
    Abraços. Jorge Eduardo. S. L.

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  8. Quanto honra em ler esse artigo - correto, sensato, justo e humano com quem precisa de humanidade.
    Parabéns doutor Wilson Campos pelo trabalho em defesa constante dos cidadãos desse nosso querido e sofrido Estado de Minas Gerais. Sofrido porque os governantes teimam em desrespeitar as tradições políticas mineiras. Como empresário há mais de 40 anos, sei do que trata esta forma torta de governar desses políticos que ultimamente governaram MG, inclusive o atual governador que está incriminado em várias ações criminosas perante a justiça brasileira. Davi S. L. de Azevedo.

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  9. Dr. WILSON,,

    PARABENIZO-O PELA EXCELÊNCIA DO SEU ARTIGO SOBRE A INCONFIDÊNCIA.

    Realmente: uma solenidade opaca, sem brilho e sem alma. Pena
    Desses atributos estão carentes os nossos governantes.

    Marcos Corrêa S.

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  10. Dr. Wilson Campos, gostaria de unir o meu grito ao seu. Neste 21.04.18 o que se viu foi a cidade cercada, com policiamento forte e os moradores da cidade presos dentro de casa. Lamento, como você, Dr. Wilson Campos que alguém como a professora Helley de Abreu não tenha sido também homenageada postumamente pelo seu ato de heroísmo na cidade de Janaúba. Parabéns pelo seu artigo. Waldete Carolino - Ouropretana há 84 anos, moradora em Ipatinga/MG.

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